Muito atencioso da sua parte aparecer por aqui bem na semana do meu aniversário. Admito que a notícia da visita me deixou mais ansioso do que de costume, e te encontrar depois de tanto tempo fez minha barriga gelar um pouquinho.
Para ocasião de tamanha importância, até roupa nova eu comprei. Peguei um baita trânsito, mas consegui chegar no horário marcado. Ao contrário de você, que me fez esperar de pé quase uma hora, abusando dessa prerrogativa que as meninas bonitas têm.
No instante em que você surgiu, imediatamente me arrependi de certas coisas que falei a seu respeito. Gordinha onde? O vestido prateado bem justo provava que eu estava errado. Ah, e foi bom você ter desistido dos cabelos vermelhos, eles não combinavam.
Seu jeito de meninha tímida continuava intacto, e até hoje não sei se isso é natural ou apenas tipo. Mas ok, digamos que você ainda não se acostumou ainda com os aplausos e elogios. A maneira como você de vez em quando esconde o rosto entre as mãos tem seu charme.
Cantar uma música das minhas bandas preferidas também é um bom truque. Conquista-me um pouco mais.
Você ainda discursa sobre como cabe aos homens tomar uma atitude quando se gosta de alguém. “Se você está apaixonado, diga para a menina. Porque as mulheres não vão fazer isso”. Bem, Joss, este é o tipo de conselho que sempre me colocou em encrenca. Mas obrigado por querer ajudar.
Nos despedimos e partirmos dentro da noite gelada, cada um para seu lado. E eu durmo e acordo com suas músicas na cabeça.
É inadmissível que um filme como este Medo da Verdade tenha ido parar direto nas prateleiras de DVD, impedindo o público de conferir na tela de cinema um dos melhores exemplares do gênero suspense policial a ser lançado pelo cinema americano nos últimos tempos.
A obra dirigida de forma excelente (e surpreendente) por Ben Affleck só é comparável ao magistral “Sobre Meninos e Lobos”, de Clint Eastwood. O que os dois filmes têm em comum? Ambos são adaptações de livros de Dennis Lehane, autor que usa sua experiência como conselheiro terapêutico de crianças vítimas de abusos para construir histórias fortes, tocantes e, infelizmente, bastante reais.
Medo da Verdade (inspirado em “Gone Baby Gone”, de Lehane) ficou famoso por ter tido sua data de estréia adiada na Inglaterra por conter muitas semelhanças com o caso da menininha Madeleine McCann, que desapareceu em Portugal, em maio de 2007, e não foi encontrada até hoje. O mal-estar e o tema espinhoso podem ter contribuído para afastar o público das salas de exibição, mas só aumentam a força do filme.
Acidentalmente, a loirinha Madeleine até parece com a menininha que desaparece na película e tem seu rapto investigado pela jovem dupla de detetives Patrick (o ótimo Casey Affleck, irmão de Ben) e Angie (Michelle Monaghan).
A mãe da criança (Amy Ryan, indicada ao Oscar de atriz coadjuvante pelo papel) é viciada em cocaína e anda sempre acompanhada de maus elementos, todos suspeitos de algum envolvimento com o crime. O tempo passa e as esperanças de encontrar a menina viva vão ficando cada vez mais escassas.
Com tantas reviravoltas, diversas texturas e personagens ambíguos, a direção não era trabalho fácil. Mas Ben Affleck equilibrou tudo isso com louvor, auxiliado pela fotografia elegante e tensa de John Toll.
Medo da Verdade ainda abre uma discussão imensa no final, quando o personagem principal precisa tomar a decisão mais difícil de sua vida. Impossível você não terminar de assistir e se perguntar o que faria naquela situação. Por colocar essa pulga atrás da sua orelha, o filme fica ainda mais imperdível.
Medo da Verdade Em DVD Direção: Ben Affleck Com: Casey Affleck, Michelle Monaghan, Ed Harris, Morgan Freeman Nota: 9,0 Média da crítica (segundo o Metacritic): 7,2 Média do público (segundo o IMDB): 8,0
Se eu sou um dos poucos corintianos que você suporta, então não seria muita pretensão achar que você esteja um pouco preocupada com o meu estado de espírito nesta quinta-feira.
12 de junho, um Dia dos Namorados com gosto de paixão não correspondida por parte de uma torcida que não cansa de sofrer em preto e branco. E foi dormir na noite passada com a cabeça inchada, depois de ver o namoro com a Libertadores (amor platônico?) naufragar mais uma vez.
Mas Lu, no meio da noite eu acordei e pensei que a vida tem bem mais coisa, pra onde a gente pode concentrar nosso olhar quando outro aspecto vai mal. E por enquanto deixarei de fazer metáforas do futebol com a minha vida para não contaminar o ambiente com pessimismo.
O novo álbum do Coldplay, chamado Viva La Vida or Death and All His Friends, está temporariamente disponível na íntegra na página do grupo no myspace – ficara lá até o final dessa semana.
Apesar do título horroroso, o disco é sensacional. Com o toque de Brian Eno (um dos grandes responsáveis por moldar o som do U2) na produção, Viva La Vida é climático, ousado e aponta uma banda com a coragem suficiente de se reinventar – e na hora certa, depois de completar dez anos de carreira. Como disse o vocalista Chris Martin à revista Enterteinment Weekly: “Estamos um pouco amedrontados com esse disco, porque jogamos fora todos os nossos velhos truques. A verdade é que tentamos encontrar novos”.
Este quarto trabalho do quarteto inglês é completamente diferente do primeiro (“Parachutes”, de 2000), e mais próximo ao último (“X & Y”, de 2005), só que numa versão melhorada. Pela justificada empolgação da crítica britânica nesta semana de lançamento, este é um forte candidato a encabeçar a lista de melhores do ano.
Viva la Vida or Death and All His Friends, faixa-a-faixa:
“Life in Technicolor” Abertura climática e instrumental. Perfeita para dar o tom do que vem a seguir.
“Cemeteries of London” A primeira grande canção do disco traz batuques e palmas que chegam a lembrar ritmos africanos, ponteadas pela guitarra de Jonny Buckland. A bela letra parece fazer referência ao movimento gótico, como o próprio título sugere, e tem forte apelo espiritual: “Vejo Deus em meu jardim/Mas não entendi o que ele disse/Pois meu coração não estava aberto”.
“Lost!” Marcada por palmas ainda mais em primeiro plano, é meio morna. O solo de guitarra lembra muito o estilo The Edge, e é um dos vários “momentos U2” do álbum.
“42” O velho Coldplay respira aqui durante os primeiros 100 segundos da música, enquanto é uma balada ao piano que lembra “Trouble” e “Fix You”. A letra segue os temas mórbidos, a começar pelo verso “Aqueles que estão mortos não estão mortos/Estão vivendo na minha cabeça”. Depois dos 1’40’’, o ritmo acelera.
“Lovers in Japan/Reign of Love” Duas músicas completamente distantes numa só. Na primeira metade, uma agitada e dançante ode ao otimismo. O toque de Eno fica claro em “Reign of Love”, que lembra o U2 dos álbuns “The Unforgettable Fire” e “Joshua Tree”: uma intensa climatização para letras sobre o poder do amor.
“Yes” Em outro ponto alto do álbum, Chris Martin abandona os falsetes para praticamente declamar a letra. Ao fundo, um hipnotizante arranjo de cordas em loop. A mesma faixa ainda traz outra canção instrumental, “Chinese Sleep Chant”, que prepara o terreno para a segunda metade do disco.
“Viva La Vida” Mais uma vez o arranjo de cordas puxa outro dos melhores momentos (o melhor de todos, talvez?), neste que é o segundo single do trabalho. A extensa letra é um épico sobre alguém que caiu em desgraça após ter o mundo nas mãos. Império romano? Revolução francesa? O atual momento dos EUA?
“Violet Hill” Sem dúvida nenhuma, a banda estava inspirada quando compôs este disco. Chegamos à oitava faixa, e eles continuam surpreendendo. Ótima escolha para primeiro single, já que ao mesmo tempo em que guarda algumas semelhanças com o Coldplay tradicional, resume exatamente o que é o novo álbum. O refrão tem tudo para pegar e ser entoado em uníssono nas apresentações ao vivo.
“Strawberry Swing” A banda dá um tempo nos temas pesados, e faz uma canção lúdica sobre um dia perfeito.
“Death and All His Friends” Para fechar os 46 minutos de duração, outra canção singela. Assim como “42”, começa com piano e vai crescendo, até que entram todos os instrumentos. É outro dos poucos momentos que tem todos os ingredientes velhos conhecidos do Coldplay.
Vídeos relacionados: “Viva La Vida” ao vivo no MTV Movie Awards:
Pelo que eu sei, o novo disco do Raconteurs ainda não chegou nem perto das prateleiras brasileiras. Pelo menos não em versão nacional.
Já se passaram quase três meses desde que Jack White e seus amigos colocaram um anúncio surpresa no site oficial da banda dizendo que dali a uma semana o novo álbum estaria nas lojas do mundo. Sem muito tempo de antecipação, sem nem mandar cópias prévias para a mídia. Assim o ouvinte teria acesso às novas músicas na mesma hora que os críticos, sem influências de resenhas positivas ou negativas.
Para os brasileiros, a atitude não valeu de nada. A quem quiser ter Consolers of The Lonely restam duas opções: baixar na internet ou desembolsar uma boa grana pelo compacto importado – R$ 60, no meu caso. É, eu sei, mas ainda insisto em achar que é importante ter o material físico em mãos.
Se você não faz questão do encarte, etc e tal, pode procurar seu site de download favorito. O importante é não deixar de ouvir este grande álbum, no mesmo nível do primeiro deles (“Broken Boy Soldiers”, de 2006), mas que também consegue abrir o leque de possibilidades sonoras exploradas por White, Brendan Benson (voz e guitarra), Patrick Keeler (bateria) e Jack L.J. Lawrence (baixo).
Quando parte para a pauleira, o Raconteurs soa como o White Stripes. “Salute Your Solution” (o primeiro single), “Five on The Five” e “Consoler of The Lonely” são algumas provas disso.
Mas Jack White não precisaria de um projeto paralelo para fazer mais do mesmo, certo? Então o quarteto passeia pelo country na ótima “Old Enough”, arrisca uma moda de viola em “These Stones Will Shout”, e manda ver nos arranjos de metais nas pérolas “The Switch and The Spur” e “Many Shades of Black”, dois dos grandes momentos do álbum.
Ainda há espaço para a bela baladinha no piano “You Don’t Understand Me” e para um encerramento climático com “Carolina Blues”, uma narrativa que casa bem como o nome da banda, já que raconteus em francês pode ser traduzido como “contadores de histórias”. E que eles continuem contando e cantando para nós.