MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO
Harold Crick (Will Ferrell), um homem metódico e solitário, começa a ouvir uma narração para todas as suas ações. Aliás, não apenas suas ações, mas também seus pensamentos mais íntimos. De onde vem aquela voz? Estaria ele ficando louco?
Quando a narradora decreta que um simples incidente com seu relógio “o levaria à morte iminente”, Harold entra em desespero. Afinal de contas aquela voz esteve certa todas as outras vezes.
Com a ajuda de um professor de literatura (Dustin Hoffman), ele descobre que é o personagem principal do novo livro de Karen Eiffel (Emma Thompson), célebre escritora reconhecida por matar todos seus protagonistas.
Harold vai então atrás de Karen, procurando confrontar criadora e criatura.
Essa é a trama geral de Mais Estranho que a Ficção, um dos melhores e mais originais filmes da Hollywood dos últimos tempos.
Uma amiga minha lembrou que esse tal encontro de autor e personagem já existia nos gibis da Turma da Mônica. Não era raro algum dos personagens de Maurício de Souza se rebelar contra o lápis e começar a dialogar com o desenhista.
É verdade. Mas o filme fala disso e vai além.
Mais Estranho que a Ficção usa efeitos visuais e de edição modernosos, mas emociona porque é muito bem escrito e bem atuado. Will Ferrell mostra ser um ator de verdade e surpreende até mesmo seus fãs. Emma Thompson merecia uma indicação ao Oscar de atriz coadjuvante.
E há também Maggie Gyllenhaal, atriz que sempre me atraiu por algum motivo além da minha compreensão. Ela faz Anna Pascal, garota alternativa por quem Harold se apaixona.
O diretor Marc Foster (de filmes tão diferentes como “A Última Ceia”, “A Passagem” e “Em Busca da Terra do Nunca”) fez de longe o melhor trabalho de sua carreira até agora.
Há no filme cenas antológicas, daquelas que não saem da memória do espectador tão cedo. As três que eu mais gostei foram:
- Harold vai ao encontro de Anna e marca num caderninho, de acordo com cada frase, se está numa comédia ou tragédia.
- Harold toca violão no sofá de Anna, na cena mais romântica do filme.
- O emocionante diálogo, perto do final, onde o professor de literatura convence Harold de seu destino.
Além disso tudo, Mais Estranho que a Ficção toca em algo no que acredito piamente: como pequenos acontecimentos totalmente ocasionais influenciam nossa vida em coisas que não podemos controlar. É essa qualidade “agridoce” que faz o filme entrar na lista de meus favoritos de todos os tempos.
Mais Estranho que a FicçãoDireção: Marc Foster
Com: Will Ferrell, Maggie Gyllenhaal, Emma Thompson, Dustin Hoffman, Queen Latifah
Nota: 10
Média da crítica (segundo o site Metacritic): 6,7
Média do público (segundo o site IMDB): 7,8

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