Tuesday, February 13, 2007

BORAT

Johnny Knoxville (líder do “Jackass”) encontra o Repórter Vesgo. Pode-se dizer que o fruto dessa fusão seria algo próximo a Borat, o personagem criado pelo comediante Sacha Baron Cohen que vem conquistando o mundo com um dos longas-metragens mais engraçados dos últimos anos.

O fato é que você nunca viu nada como Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América. Pelo menos não no nível de cara-de-pau deste filme, que por vezes leva ao extremo o limite da escatologia, ao mesmo tempo em que faz uma reflexão social do mundo moderno e suas contradições.

Tudo bem que o filme não pode ser tratado como um estudo antropológico, e nem quer ser. Mas algumas coisas nele são reveladoras.

E também não adianta rir da cara dos americanos que foram pegos desprevenidos pelo repórter, pois se Borat fizesse uma viagem por território brasileiro iria ver absurdos parecidos ou até piores.

O conceito é apresentado nos primeiros momentos, sempre parodiando um documentário. Borat é um repórter que sai do ultra-precário Cazaquistão para aprender um pouco com a suposta cultura mais avançada do mundo, a dos “EU e A”.

Ele desembarca em Nova York, no quarto do hotel assiste um trecho de "Baywatch" e se apaixona por Pamela Anderson. A viagem vira então uma busca pela loira, que vive na Califórnia. Ou seja, Borat terá de atravessar o território norte-americano se quiser encontrar a amada.

No meio do caminho ele conduz entrevistas com instrutores de alto-escola, vendedores de automóveis, feministas, socialites, professores de humor e etiqueta, políticos, bêbados de universidade, manos da periferia, cristãos fanáticos e por aí vai. Ou seja, todos aqueles personagens bem presentes no estereótipo estadunidense.

Vale dizer que nenhum deles sabia direito do que o filme se tratava quando seus depoimentos foram gravados. Alguns deles estão inclusive processando os produtores.

“Assinei um documento; jogaram na minha frente bem rapidinho e me deram U$ 150. Realmente não tive oportunidade de ler porque logo começaram a filmar”, disse Jim Sell, o vendedor de carros, à revista Rolling Stone.

Fato é que Borat instiga, e quem acaba fazendo papel de palhaço é o entrevistado, como o senhor presente a um rodeio que deseja que os gays dos EUA fossem enforcados.

São quase 90 minutos de risadas ininterruptas, só substituídas por espanto em cenas como a da briga de Borat e seu robusto produtor (Ken Davitian). Os dois nus rolando por uma cama, em uma situação que o amigo que viu o filme comigo descreveu como “a cena mais bizarra que ele já viu”. E olha que esse cara já viu coisas bizarras na vida.

Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América
Direção: Larry Charles
Com: Sacha Baron Cohen, Ken Davitian
Nota: 8,5
Média da crítica (segundo o site Metacritic): 8,9
Média do público (segundo o site IMDB): 7,8

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