Monday, June 04, 2007

ZODÍACO

David Fincher é seguramente um dos meus diretores preferidos. E ele ficou sumido tempo demais. Cinco anos separam “O Quarto do Pânico” deste seu trabalho seguinte. Lembro que vi “O Quarto do Pânico” no cinema num dos dias mais longos da minha vida, uma maratona que incluiu festa na sexta, jogos da Copa do Mundo do Japão e Coréia e cinema na noite de sábado – tudo isso sem dormir. E eu lembro que só fui ao cinema porque afinal de contas era o novo filme do David Fincher.

Pois bem, nesse meio tempo o Brasil ganhou e perdeu Copas do Mundo, foram feitos muitos filmes bons e muitos filmes ruins, e o cineasta continuava em silêncio.

Até que chega Zodíaco, suspense denso e tenso que mata as saudades e coloca Fincher, que já foi chamado de “o novo Stanley Kubrick”, novamente no topo dos diretores da atualidade, posto que ocupa em companhia de nomes como Quentin Tarantino, Steven Soderbergh e outros poucos.

O filme divide-se em dois núcleos para contar a história de um serial killer que aterrorizou a região de San Francisco entre as décadas de 60 e 70. O maníaco mandou cartas aos principais jornais do estado confessando a autoria dos crimes e anunciando próximos passos, mandando mensagens em código e assinando apenas como Zodíaco.

Fincher acompanha o trabalho de Paul Avery (um inspiradíssimo Robert Downey Jr.), jornalista boêmio e egocêntrico atrás do furo de reportagem perfeito que seria descobrir a identidade do assassino e da dupla de detetives da polícia encarregados do caso, interpretados com precisão por Mark Ruffalo e Anthony Edwards.

O personagem central, no entanto, não é nenhum destes três, e sim Robert Graysmith (o talentoso Jake Gyllenhaal). Cartunista do San Francisco Chronicle, o tímido Graysmith é um viciado em quebras-cabeças e passatempos desse tipo, e fica obcecado em descobrir a verdadeira identidade do Zodíaco.

São claras as mudanças pelas quais passa a personalidade de Graysmith (autor do livro que inspirou o roteiro do filme) a partir do caso. Ele começa o filme como um sujeito calado que primeiro se preocupa com o filho quando o criminoso ameaça atacar um ônibus escolar, mas depois coloca a família e sua própria vida em perigo, numa investigação particular que lhe deixa absolutamente paranóico.

Jake Gyllenhaal só não ofusca seus colegas de cena porque todos são muito bons, Principalmente Robert Downey Jr, como mais um bad boy irônico e chapado que ele conhece tão bem (o ator é freqüentador assíduo de delegacias e clínicas de reabilitação). Chloe Sevigny, que faz a esposa de Graysmith, é outra que se destaca, mesmo em poucas aparições. É uma dessas atrizes capazes de transmitir tudo apenas com um olhar fuzilador.

David Fincher deixa de lado os efeitos que criavam ambientes virtuais em “Clube da Luta” e “Quarto do Pânico” e rege tudo de forma discreta e segura. As cenas dos assassinatos são de uma frieza impressionante, e não precisam de trilha sonora ou cortes rápidos para assustar.

O diretor também equilibra a tensão com momentos cômicos – cortesia de Downey Jr -, mistura que dá um nó na cabeça do público que não sabe se ri ou fecha os olhos de medo em algumas das melhores cenas, como uma seqüência no porão que lembra “O Silêncio dos Inocentes”.

A produção também capricha na recriação das décadas de 60 e 70, tanto nos figurinos como nos cenários. Assim como outros trabalhos do diretor, Zodíaco já virou objeto de culto mundo afora. E eu quero um button de “I’m not Avery” igual ao que aparece no filme.

Zodíaco
Direção: David Fincher
Com: Jake Gyllenhaal, Robert Downey Jr, Mark Ruffalo, Anthony Edwards
Nota: 9,0
Média da crítica (segundo o site Metacritic): 7,7
Média do público (segundo o site IMDB): 8,2

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