Wednesday, August 29, 2007

O Ultimato Bourne

Em um ano exageradamente cheio de seqüências, finalmente uma que vale a pena. O Ultimato Bourne é não apenas melhor que seus antecessores, mas um dos filmes de ação mais vibrantes de todos os tempos.

Se você acha que é exagero da minha parte é porque ainda não viu o filme. Sabe todo aquele preconceito que você possa ter contra os filmes de ação? É compreensível. Afinal de contas, a maioria deles mostra um cara metido a engraçadinho, que dirige as máquinas mais possantes do mundo e vai para a cama com a mulher que quiser.

Mas Jason Bourne não é assim. Ele não tempo a perder pensando em (muito menos fazendo) sexo e sua grande arma é o cérebro. A identidade do protagonista permeia todo o filme, e é refletida na tensão impressionante que não é quebrada com piadinhas infames ou sarcasmo desnecessário. Bourne não sorri. Há apenas dois míseros sorrisos em 111 minutos de projeção – e um deles é em flashback e outro da personagem de Julia Stiles, num momento chave (ok, sem spoilers).

A exemplo de “A Identidade Bourne” e “A Supremacia Bourne”, em O Ultimato Bourne o ex-agente secreto especial vivido por Matt Damon está a procura de respostas sobre suas origens. Desta vez ele é ajudado pelas informações coletadas por um repórter (Paddy Considine, de “Terra de Sonhos”) que investiga as entranhas dos serviços de inteligência norte-americanos.

Por esbarrar em informações confidenciais, o jornalista passa a ser perseguido pelos mesmos homens que querem encontrar Bourne. Tem início então o jogo de gato e rato, marcado por pelo menos duas seqüências de ação magistrais: a primeira numa estação de trem em Londres, a outra nas ruas do Marrocos, que se encerra com uma pancadaria violentíssima entre Jason Bourne e um “executor”.

O já conhecido olhar “documental e urgente” de Paul Greengrass encontra aqui seu melhor momento na carreira até agora. A câmera na mão e os enquadramentos tortos cabem nesse filme, e estão sempre a serviço da boa história que ele tem nas mãos.

Acima de tudo, O Ultimato Bourne funciona porque fecha com perfeição a trilogia, deixa tudo amarrado e torna desnecessária qualquer revisitação ao herói. Vamos ver se o bom senso que até agora reinou em Damon, Greengrass e em todos os envolvidos na franquia fala mais alto do que os possíveis dólares oferecidos para um retorno.

O Ultimato Bourne
Direção: Paul Greengrass
Com: Matt Damon, Julia Stiles, Joan Allen, David Strathairn
Nota: 9,0
Média da crítica (segundo o site Metacritic): 8,5
Média do público (segundo o site IMDB): 8,5

1 Comments:

Blogger Rafael Olivares said...

Realmente, vibrante é a palavra para definir o filme.

Problemas de crase: "À exemplo" não, "A exemplo".

03 September, 2007 07:21

 

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