Control
Exibido na Mostra SP.
Bob Dylan disse certa vez que determinada cantora cujo nome me escapa era tão intensa em cima do palco que, toda noite que cantava, morria um pouco. A mesma frase pode ser aplicada a Ian Curtis, vocalista do Joy Division. Pelo menos se ele foi tão igual ao retratado no filme de Anton Corbjin.
Admito que não sou profundo conhecedor da banda, mas acredito na fidelidade do filme, já que ele foi baseado na autobiografia de Deborah Curtis, viúva de Ian.
Independentemente do gosto pessoal e dos conhecimentos históricos, Control se sustenta como uma obra grandiosa. É uma das melhores biografias de músicos para o cinema, coisa que parece ter virado moda – a tela grande tem visto nos últimos anos reconstituições das vidas de Ray Charles, Johnny Cash e do próprio Dylan, entre outros.
O que surpreende no filme é que ele vai além do estereótipo de artista problemático e depressivo do protagonista. Sim, ele tinha seus demônios (incluindo aí uma epilepsia, que chegou a vir à tona durante shows do Joy Division), mas também era um adolescente que lutava para conciliar sua carreira de roqueiro com o emprego comum.
Ian mal fez 20 anos e já tem esposa, filho e amante pra sustentar, além de estar no centro do holofote e conviver com os repentinos ataques epiléticos. Pouca pressão?
Apesar de tudo isso, Corbjin consegue conduzir tudo com até certa leveza, muito pelo alívio cômico dos coadjuvantes Tony Wilson (interpretado por Craig Parkinson) e do empresário Rob Gretton (Toby Krebbel). Ambos só não roubam a cena porque a dupla de protagonistas está perfeita. O desconhecido Sam Riley é a grande revelação como Ian Curtis, e a sempre ótima Samantha Morton rejuvenesce dez anos para encarnar Deborah.
A beleza da fotografia em preto e branco ajuda muito no clima e não é surpresa para quem conhece as fotos e clipes do diretor, que frequentemente trabalha com U2, David Bowie, Rolling Stones e uma imensa lista, o verdadeiro quem é quem do rock n’ roll.
Control só fica depressivo mesmo na sua parte final avassaladora, como era inevitável. Isso dá um peso ainda maior à conclusão trágica, e me deixou realmente abalado por um bom tempo depois da sessão. E quando isso acontece é porque o filme é bom mesmo.
ControlDireção: Anton Corbjin
Com: Sam Riley, Samantha Morton, Craig Parkinson
Nota: 9,0
Média da crítica (segundo o Metacritic): 7,8
Média do público (segundo o IMDB): 8,3

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