Viagem a Darjeeling
Há quem possa acusar Wes Anderson de fazer sempre o mesmo filme. O diretor estará, portanto, em boa companhia, já que essa é uma acusação feita diversas vezes a Woody Allen, por exemplo.
O cinema de Wes Anderson é de cores vivas, humor ácido, personagens em constante desencontro com o mundo e famílias em crise. Se este último elemento ainda não era tão presente em “Três é Demais”, o filme com o qual despontou, virou fundamental em “Os Excêntricos Tenembaus” (que lhe deu o status de um dos realizadores mais inventivos da atualidade) e no subestimado “A Vida Marinha com Steve Zissou”.
Em Viagem a Darjeeling o foco é a busca de três irmãos em reencontrar o vínculo afetivo perdido em algum lugar da vida adulta. Para que isso aconteça, o mais velho (Owen Wilson) organiza uma viagem pela Índia, o país mais espiritual do mundo, e basicamente força os caçulas (Adrien Brody e Jason Schawrtzman) a acompanhá-lo.
“Eu me pergunto se nós três poderíamos ser amigos no mundo real, quero dizer, sem sermos irmãos”, pergunta um dos personagens. A resposta vem seca: “Provavelmente a chance seria maior”. O diálogo resume bem o tom do filme. Mas, num lugar tão longe de casa, os três não têm escolha a não ser agarrarem-se um nós outros para terem qualquer sensação de familiaridade.
Do elenco principal, o grande destaque é Jason Schwartzman (que é um dos roteiristas do longa) como Jack, o irmão mais novo. O show do ator começa no sensacional curta-metragem “Hotel Chevalier”, que serve como introdução ao filme e é estrelado por ele e Natalie Portman. O curta é uma daquelas obras que pegam fundo na alma, com alguns dos diálogos mais cruéis da filmografia de Anderson. A história de “Hotel Chevalier” é citada direta ou indiretamente diversas vezes durante Viagem a Darjeeling, então ainda bem que as cópias em exibição nos cinemas contam com ele, fato que a distribuidora só conseguiu confirmar em cima da hora.
Essa introdução faz toda a diferença, já que é inevitável não simpatizar mais com Jack. Sobre a vida pregressa dos outros dois irmãos, fala-se pouco. As únicas coisas que sabemos é que Frank, o mais velho, sofreu um grave acidente de moto e por isso precisa usar uma proteção enorme no rosto e que Peter, o do meio, está prestes a ser pai. Além disso, sabemos que a última vez que o trio esteve reunido foi no funeral do pai, cerca de um ano antes, e que não falam com a mãe há muito tempo.
São ingredientes suficientes para embarcamos no trem e curtir uma viagem na qual comédia e melancolia caminham de mãos dadas. É difícil saber se o trajeto será apreciado por quem não conhece o universo de Wes Anderson. Porém, os fãs do diretor se sentirão extremamente confortáveis, como se estivessem na área VIP.
Viagem a DarjeelingDe: Wes Anderson
Com: Jason Schawrtzman, Owen Wilson, Adrien Brody
Nota: 8,5
Média da crítica (segundo o Metacritic): 6,7
Média do público (segundo o IMDB): 8,1

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