Wednesday, July 20, 2011

Fiel escudeiro

"“Se eu te troquei, não foi por maldade
Amor, veja bem, arrumei alguém chamado saudade”


A noite caiu, e não trouxe escapatória.

O relógio bateu 18 horas e ao invés do alívio de antigamente, sentiu apenas angústia. Era hora de preencher as próximas horas. Estranho como o tempo é mesmo relativo. Houve uma época em que qualquer minuto era pouco, qualquer hora insuficiente... Eram tantos planos, tanto o que fazer, aquele cansaço prazeroso que vinha quando colocava a cabeça no travesseiro.

Agora é tudo uma insistente escuridão.

Puxa um cigarro. Senta na mesa do bar. Tudo na esperança de matar o tempo, antes que morra de tédio. Para quem vem puxar conversa, tenta disfarçar com uma piada ou outra banalidade. Um olhar mais atento enxergaria um buraco, se alguém estivesse interessado em procurar.

Um a um, todos vão se despedindo. Fica quase só.

Quase. Porque se acostumou a levar junto o vazio, visitante que fez casa em seu peito, se instalou e não parece ter pressa em ir embora. Fica lá arrastando o pé, batucando... Insiste em avisar que está presente.

Sai andando, entra no carro. Se ainda sentisse alguma coisa, provavelmente choraria. Mas agora tudo pertence ao vazio, companheiro de todos os momentos. Segue o caminho. Passa pela porta. Deita na cama. E só.

3 Comments:

Anonymous fabi said...

o vazio não é tão ruim assim: http://capinaremos.com/2011/07/16/encher-o-vazio/.

:)

20 July, 2011 12:35

 
Anonymous Carol said...

O lado bom é que já está pronto para preencher de novo. Só não pode ter pressa...

20 July, 2011 18:43

 
Blogger lygia roncel said...

final bom esse.

22 July, 2011 18:16

 

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