Monday, August 08, 2011

Etílica

O primeiro gole subiu pelo canudinho direto à cabeça, sem escala na língua para marcar seu gosto levemente amargo.

Era o final de uma semana longa. Sugava sua bebida com a urgência de alguém que acaba de submergir e busca ar livre. Os cabelos também já não estavam mais presos, passaram a ser só ondulações, um mar de fios dourados na paisagem.

Os copos se sucediam. O riso ficava mais solto. Os olhares eram todos dela. Não estava acostumada a ser o centro das atenções, mas aquilo era uma sensação boa. Incrível. Suas piadas eram agora engraçadas, suas sacadas eram de uma profundidade jamais vista, seu carinho por todos ao redor mal cabia em seu corpo franzino.

O frio havia passado. Tirou a blusa e saiu para fumar um cigarro. Exalava confiança, uma fragrância mais atraente que qualquer perfume francês. Sentia-se ousada. Sentia-se desejada. Sentia-se sexy.

Mas hoje não lembra.

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