Monday, January 16, 2012

Doze Homens e Uma Sentença

O Projeto Uma Peça por Mês 2012 começou com o pé-direito. A peça escolhida para este mês de janeiro foi “Doze Homens e Uma Sentença”, versão nacional dirigida por Eduardo Tolentino para o texto de Reginald Rose, em cartaz no Tuca.

Apesar de conhecer relativamente bem a trama – exemplo clássico em qualquer aula de roteiro/dramaturgia – nunca tinha visto o filme, de 1957. Essa “falha” acabou deixando a experiência ainda mais interessante, já que cada fala revelava uma camada diferente sobre os personagens e, no fundo, sobre nós mesmos e nossos preconceitos e intolerâncias particulares.


A montagem na arena do Tuca coloca apenas uma mesa ao centro, e alguns poucos elementos de cena, como um cabideiro e um bebedouro. A iluminação muda em brevíssimos momentos (quando cai a noite, por exemplo) e só. A força mesmo fica com o elenco formado por atores maduros e, principalmente, com o primoroso texto de Rose.

Para quem não conhece, a história se passa numa sala de jurados de um tribunal americano. Lá, os doze integrantes do júri precisam decidir se um jovem acusado de matar o pai com uma facada é inocente ou culpado, o que condenaria o réu à cadeira elétrica. A decisão precisa ser unânime, e é aí que está o problema: enquanto onze homens consideram o garoto culpado, um ainda não está completamente convencido.

A partir daí, tem início um impressionante jogo de argumentação e questionamentos, no qual a situação é um microcosmo das relações humanas, que serve hoje tão bem para a sociedade quanto 50 anos atrás, na época da montagem inicial, e certamente ainda sobreviverá como reflexão por muitos séculos.

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